Eu há muito deixei de rezar, há muito deixei de pedir, há muito deixei minhas crenças escorregarem para uma espécie de limbo, mas cujo véu ainda costumo levantar quando quero agradecer. Agradeço por cada coisa boa que me acontece, seja ela qual for, mesmo não sabendo a quem dirigir os meus “obrigados”. Nessas ocasiões tento tirar do baú empoeirado da minha fé puída algo ou alguém a quem dizer: valeu, obrigada. Insisto, sempre na esperança de que o agradecimento seja ouvido, seja lá por quem for.
E talvez por ainda não ter aterrado o pântano das minhas crenças, talvez por ter deixada aberta a porta do agradecimento reconhecido, talvez por outra razão qualquer, ou porque a vida é assim mesmo, eu ganhei um presente. Um presente tardio, que chegou quando a maior parte da minha estrada já foi percorrida, e que foi, que é, talvez por isso mesmo, muito especial.
Uma coisinha miúda, que ri muito, que faz manha, que se diverte na hora do banho, que arranca brincos de orelhas desavisadas, que fica lindo de boné, que melhora de humor milagrosamente quando percebe que vai passear, um pedacinho de gente que se mostrou corajoso e valente desde muito cedo. Uma verdadeira fábrica de surpresas e uma fonte inesgotável de ternura.
O meu agradecimento hoje é para a vida e para um anjo chamado Gabriel.

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